21/04/2016

Entrega da Medalha da Inconfidência é marcada por protesto

A 65ª cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (21), foi marcada por protestos. A solenidade começou às 10h, com a chegada do governador Fernando Pimentel, recebido com honras militares. Hinos nacionais do Brasil e do Uruguai foram executados pela Orquestra Sinfônica da Polícia Militar de Minas na abertura da cerimônia.
Mujica chegou à praça Tiradentes, acompanhado por Pimentel, e foi ovacionado pelo público. Manifestantes gritaram "não vai ter golpe" e "liberdade ainda que tardia, nós vamos lutar juntos para acabar com a burguesia". Das janelas das casas no entorno da praça algumas pessoas gritaram "Fora PT".
Centenas de integrantes de movimentos sociais e sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas (SindUte) e Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) levaram faixas e cartazes com dizeres de repúdio ao "golpe", em referência à votação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em curso no Congresso Nacional.
Outro grupo se manifestou contra o governo do Estado, pedindo o fim do parcelamento dos salários dos servidores.
Entre os agraciados com a grande medalha estão Carlos Daniel Amorín-Tenconi, embaixador do Uruguai no Brasil; António Ribeiro Gameiro, deputado da assembleia de Santarém (Portugal); Andrea Claudia Vacchiano, chefe da Polícia Civil de Minas; Jô Moraes e Reginaldo Lopes, deputados federais. Com a medalha de honra foram agraciados 20 desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O presidente da OAB-MG, Antônio Fabrício de Matos Gonçalves, e o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Cruz Reis Filho, estão entre os que receberam a última categoria de premiação, a Medalha da Inconfidência.

Fernando Pimentel

Os 12 minutos de discurso do governador Fernando Pimentel foram dedicados à defesa da democracia. “O novo nome da liberdade é a democracia. É a defesa da democracia, dos valores republicanos, do respeito à vontade soberana do povo expressa pelo voto livre secreto e universal”, declarou, em uma crítica ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que tramita no Congresso Nacional.
Pimentel lembrou da história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que há 224 anos foi morto em nome da liberdade e da independência do Brasil. “Inspirados no exemplo de Tiradentes buscamos a liberdade através da demoracia”, ressaltou. 
“A única fonte real de legitimidade da democracia é o voto e é a ele que devemos recorrer quando crises institucionais agudas como esta assolam e ameaçam a estrutura democrática que tanto sangue e lágrima nos custou para trazer até aqui”, completou.
O governador fez um apelo ainda a um processo de “pacificação” no país para que a economia se recupere. “Seja qual for o desfecho da crise que atravessamos, nosso país precisa passar por um processo de pacificação, sem isso não encontraremos saídas para recuperação da economia e retomada do crescimento. É preciso voltar a crescer para voltar a gerar emprego e renda. Mas precisamos crescer com estabilidade fiscal e monetária, sem inflação, sem desequilíbrios. Precisamos voltar a crescer para não cometermos o crime de colocar milhões de pessoas em condições de pobreza”, finalizou. 

Pepe Mujica

A solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência teve o ex-presidente do Uruguai José Mujica como grande agraciado, neste feriado de Tiradentes, em Ouro Preto. Ele estava acompanhado da esposa, a senadora Lucía Topolansky. 
Mujica, que hoje ocupa o cargo de senador, defendeu a democracia em seu discurso e falou sobre a crise política do Brasil. "Não é um problema de um partido. É um problema do país", declarou. Ele disse ter a América Latina como pátria e, por isso, também se sentir brasileiro.
"Os únicos derrotados são os que deixam de lutar". "Não há um prêmio no fim do caminho. O prêmio é o próprio caminho", ressaltou. "Pior que as derrotas é este desencanto”, completou.
O político uruguaio recebeu o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência.
O uruguaio também falou sobre o que é, para ele, o verdadeiro papel da política. "A função da política não é aplacar, é negociar as inevitáveis diferenças que se apresentam na sociedade. A função da política não é gerar a corrupção. A função da política é lutar por um mundo melhor".
Arthur de Oliveira Andrade

O estudante mineiro que foi aprovado em Harvard e outras seis universidades dos Estados Unidos, Arthur de Oliveira Abrante, de 18 anos, recebeu a medalha da inconfidencia hoje em Ouro Preto. "Estou muito lisonjeado. Nunca me senti tão honrado". Sobre o momento político do Brasil, Arthur disse que apesar da corrupção, é preciso manter a fé no país. "Sou contra o impeachment. O que aconteceu na Câmara no último domingo foi um ataque à democracia. Mas é preciso ter fé. As pessoas têm que ser mais conscientes ao votar" 
A Medalha da Inconfidência
Criada em 1952 pelo governador Juscelino Kubitscheck, a Medalha da Inconfidência possui quatro designações: Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência. Entre os homenageados deste ano estão políticos, militares, médicos, professores, juristas, advogados, jornalistas, historiadores, estudantes, religiosos e autoridades.
Em 2016, o Grande Colar vai agraciar o senador e ex-presidente do Uruguai, José Alberto Mujica Cordano, que também será o orador da solenidade. Ao todo, 30 personalidades e entidades receberão a Grande Medalha, 54 a Medalha de Honra e 63 a Medalha da Inconfidência.  .

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