Falta caderneta da criança em MG, e não há previsão de entrega - FDV

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06/08/2016

Falta caderneta da criança em MG, e não há previsão de entrega

Utilizadas no controle e no acompanhamento da vacinação e do desenvolvimento dos pequenos, as Cadernetas de Saúde da Criança, elaboradas pelo Ministério da Saúde, não foram recebidas pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas (SES) neste ano. Os documentos normalmente são distribuídos aos pais nas maternidades, logo após o nascimento do bebê. No entanto, quatro de cinco hospitais de Belo Horizonte consultados pela reportagem informaram que não há recebimento há meses.
“Aqui a caderneta está em falta há três meses, e o governo não dá previsão de regularização. Estamos orientando os pais a utilizar um cartão provisório de vacinação até a chegada da caderneta”, afirmou uma funcionária do Mater Dei. Nas maternidades Octaviano Neves, Santa Fé e Unimed, funcionários informaram que os documentos também não estão disponíveis desde o início deste ano ou meados de 2015.
Conforme definição da própria caderneta, o exemplar é “um documento importante para acompanhar a saúde, o crescimento e o desenvolvimento” da criança e deve ser levado pelos pais e responsáveis a todos os serviços de saúde e campanhas de vacinação. O documento é um direito do bebê e da família e contém, por exemplo, orientações sobre amamentação, dicas de prevenção de acidentes e cuidados com a saúde dos dentes.
“É uma coisa que não deveria faltar, porque a caderneta tem todas as informações do bebê. Minha filha já fez vários exames, que poderiam estar na caderneta para eu conseguir acompanhar melhor. Sem o documento certo, essas informações acabam se perdendo com o tempo”, afirmou a dona de casa Mariana Amorim, 21, mãe da Núbia. Ela deu à luz no hospital Sofia Feldman, em junho, e a caderneta estava em falta. “Vou ter que comprar ou dar outro jeito, porque ficar sem vacinar não pode”, disse.
Importância. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), não é de hoje a falta de cadernetas na capital, visto que a quantidade recebida tem sido menor que a demanda. No ano passado, a pasta recebeu 27 mil exemplares, enquanto a média anual de nascimentos em Belo Horizonte gira em torno de 30 mil bebês.
A secretaria informou que, independentemente da apresentação da caderneta, os centros de saúde realizam o atendimento da mãe e do bebê e fornecem a vacinação. Isso porque as unidades têm um sistema informatizado, com o controle da imunização dos usuários, e distribuem cartões gerais de vacina, que, apesar de não serem ideais, contêm o calendário de vacinação e o controle das doses aplicadas.
No entanto, de acordo com a professora do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Lilian Diniz, esses cartões não são capazes de substituir as cadernetas específicas para os pequenos. “A caderneta é muito importante para os pais e os médicos da criança. Ela tem dados e condições de nascimento, indica como a criança se comportou no primeiro e no quinto minutos de vida, se tem risco de atraso de desenvolvimento, os dados do pré-natal e a administração das vacinas”, disse a professora.
Segundo ela, as informações iniciais devem ser preenchidas pelos profissionais de saúde, ainda na maternidade, assim como o registro da vacina contra a hepatite B, que deve ser aplicada logo após o nascimento.
No site
Documento. Os pais que desejarem podem imprimir e usar as cadernetas. A última versão está disponível emhttp://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_crianca_menino_10ed.pdf

RESPOSTAS

União e Estado não se entendem para definir demanda

Um impasse entre o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) torna sem previsão o retorno da distribuição das Cadernetas de Saúde da Criança em Minas. Enquanto a União afirma que aguarda informação sobre a quantidade necessária de exemplares a serem remetidos, o Estado diz que não é necessário enviar tal levantamento à pasta federal.
O Ministério da Saúde declarou que o número de documentos enviados para os Estados é calculado com base nas informações contidas no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), acrescidas de 10% de margem de segurança, e que, neste ano, a SES não teria informado a demanda até ontem. A pasta declarou que esse é o protocolo seguido todos os anos. Em 2015, foram enviadas para Minas um total de 250,7 mil cadernetas da criança.
Já a SES informou que identifica a quantidade necessária de cadernetas da mesma maneira – o número de nascidos vivos registrados no Sinasc mais 10%. A pasta afirmou que, desse modo, não é necessário enviar esse levantamento para que a União forneça as cadernetas, “porque trata-se de um sistema que é do próprio ministério, ou seja, o ministério tem acesso”.
O Estado informou, ainda, que o estoque de cartões de vacinas disponibilizados a toda a população, independentemente de faixa etária, está regular em Minas. (RM)

SAIBA MAIS

Geral. As cadernetas devem ser garantidas a todo recém-nascido, em seu local de nascimento, e devem ser distribuídas às maternidades públicas e privadas.
Calendário. As primeiras vacinas tomadas pelos bebês são a BCG e contra hepatite B. A segunda deve ser tomada logo ao nascimento e registrada na caderneta ainda na maternidade. Já a BCG pode ser aplicada em postos de saúde.
Poliomielite. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que normalmente acontece em agosto, será realizada em setembro neste ano, devido aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A campanha é feita em parceria com Estados e municípios, e, de acordo com o Ministério da Saúde, o adiamento não vai prejudicar a imunização, visto que a doença está erradicada no país.
Multivacinação. Junto com a ação contra a pólio, ocorrerá a campanha de multivacinação, que visa atualizar a caderneta de imunização de crianças menores de 5 anos. A data de início de ambas ainda não foi marcada.

Impressão vira fonte de renda

Ao dar à luz em março e sair da maternidade sem a Caderneta de Saúde da Criança, a pedagoga Grazielle Martins, 30, decidiu baixar um exemplar na internet e imprimir por conta própria. Como ela já trabalhava na elaboração de itens personalizados, passou a vender cadernetas estilizadas.
“Quando meu filho nasceu, procurei a caderneta e não encontrava. Então, fiz e postei nas redes sociais, e muitas pessoas passaram a encomendar”, disse. Grazielle chega a vender cerca de 70 por mês, cada uma por R$ 25. (RM)

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