Pior escola com desempenho no Enem fica no Vale do Jequitinhonha - FDV

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06/10/2016

Pior escola com desempenho no Enem fica no Vale do Jequitinhonha

Pior desempenho é observado principalmente em escolas da zona rural
As escolas que tiveram o pior desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2015, em Minas Gerais, são todas da rede estadual.

Entre as 20 últimas colocadas na avaliação, 19 delas estão em cidades com menos de 90 mil habitantes e, em sua maioria, com menos de 20 mil. Apenas uma é da capital. Além disso, seis delas estão em zonas rurais.



Para especialista em educação, esse diagnóstico é reflexo da dificuldade de acesso dos alunos às instituições, da formação ruim de professores e da pouca bagagem cultural da população desses municípios.

O Estado assume que essas são algumas das principais dificuldades, mas afirma que já está realizando medidas específicas para melhorar a condição desses alunos.

O pesquisador em educação e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Tufi Soares destaca questões socioeconômicas, locais periféricos e dificuldades de acesso como preponderantes no desempenho dos estudantes. “São muitos os fatores que podem afetar esses resultados. Tudo tem que ser observado. Existe conhecimento amplo de que há uma fortíssima correlação entre resultados de avaliação e condições socioeconômicas familiares”, aponta.



Quinze dos municípios onde as escolas tiveram o pior desempenho no Enem em Minas têm Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio (de 0,6 a 0,69). Duas têm IDH baixo (entre 0,5 e 0,59), e apenas três cidades apresentam índice alto (de 0,7 ou mais), sendo elas Belo Horizonte, Pirapora e Diamantina.



A superintendente de desenvolvimento do ensino médio da Secretaria de Estado de Educação, Cecília Resende Alves, acredita que a relação das baixas notas com as localidades é pertinente. “A gente não pode negar que, para se desenvolver um conjunto de habilidades, precisa-se ter acesso a informação e transformá-la em conhecimento. Nas cidades mais distantes, com dificuldade de acesso, a informação também chega com dificuldade”, aponta.



Cecília explicou que, devido às dificuldades de locomoção, muitos estudantes deixam de fazer o Enem ou fazem apenas um dia do teste, o que contribui para que as notas deles sejam baixas. Segundo a superintendente, esses alunos estão sendo auxiliados para conseguir fazer a prova.


Avaliação


 Entre as escolas públicas, as estaduais têm desempenho pior porque as federais são de excelência e sempre têm colocação melhor e as municipais, em sua maioria, não têm ensino médio.



LICENCIATURA



Professores não atuam na área de formação



Além da questão socioeconômica e da dificuldade de acesso para a população da zona rural e de pequenas cidades, outro contexto que está presente nas escolas com o pior desempenho no Enem em Minas Gerais é a falta de professores formados. Última colocada do Estado no exame, a Escola Estadual Governador Juscelino Kubitschek, em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, tem apenas 33% de seus educadores com licenciatura na área em que atuam.

“Temos um problema sério no interior e na zona rural, que é formação do professor. Nas cidades mais distantes dos centros urbanos, há dificuldade de formar esses profissionais. Os professores com licenciatura plena, formados e exercendo na área em que estudaram, estão distantes”, afirma a superintendente de desenvolvimento do Ensino Médio, Cecília Resende Alves. Ela afirma que a formação desses profissionais é prioridade para o Estado.



Desempenho. 

média nacional do Enem foi de 515,5 pontos. Entre as 20 últimas colocadas em Minas, os resultados variaram entre 430 e 457. Esses valores são apenas entre as provas objetivas. A pontuação máxima é 1.000.

Docentes. Entre as escolas analisadas, a que tem a maior porcentagem de professores com licenciatura (76%) fica em Manhuaçu, na Zona da Mata. Trata-se da Escola Estadual Doutor Eloy Werner, que teve nota nas provas objetivas de 454,8 pontos. Ela está na posição 3.069 no ranking das escolas de Minas.

O Tempo

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