28/02/2018

Emprego público é sonho de quase 55% dos mineiros

A possibilidade de um trabalhador ser demitido ou desligado de suas funções somente por casos específicos, e mesmo assim com amplo direito de defesa, faz com que a maior parte do eleitorado de Minas Gerais queira ser servidor público. Ao mesmo tempo, a maioria deles discorda da estabilidade concedida ao funcionalismo. Isso é o que mostra a pesquisa Minas no Brasil de 2018, projeto desenvolvido pelo jornal O TEMPO, com dados coletados pelo Grupo Mercadológica.
O levantamento aponta que 53,7% dos mineiros entrevistados gostariam de ocupar um posto público ou sonham com esse tipo de emprego para seus filhos. A maior parte deles (30,9% do total dos entrevistados) respondeu que a vontade se dá por conta da estabilidade, uma vez que as regras de desligamento são mais rígidas do que as aplicadas para trabalhadores celetistas.
Ainda dentro dessa parcela dos que desejam trabalhar no setor público está 8,9% do total do universo pesquisado, que manifesta essa vontade porque nesse tipo de emprego os salários, geralmente, são melhores.
Um estudo do Banco Mundial, divulgado no fim do ano passado e feito a pedido do governo federal, mostrou que a diferença entre os salários de um servidor público federal e de uma pessoa da iniciativa privada – com a mesma idade, mesma formação e mesma experiência – chega à marca de 67%. Na média internacional, segundo o Banco Mundial, o setor público paga 16% a mais.
O levantamento feito pelo Grupo Mercadológica mostra também que 4,3% dos mineiros justificam o desejo de ingressar no serviço público pela carga horária, que é menor do que da iniciativa privada. Outros 3,4% dos participantes disseram que é por causa da aposentadoria, considerada melhor que a do trabalhador celetista. Os demais 6,2% dos entrevistados relataram ter outros motivos para a escolha.
O índice de mineiros que não querem ocupar um posto de servidor público alcança 46,4%, segundo a pesquisa.
Segurança. Embora queira ser servidor justamente por conta das vantagens do cargo, o mineiro não concorda com a principal delas: a estabilidade na função. A maioria dos participantes (64,8%) disse não concordar com a regra, enquanto o restante (35,2%) afirmou que aprova essa regra.
A posição contrária à estabilidade é mais forte entre as mulheres (67,2%) e entre pessoas que tem entre 35 e 44 anos ( 75,1%). A posição mais favorável à regra se dá entre as pessoas que possuem entre 16 e 34 anos (40,4%) e nas classe econômicas A e B (41,4%).
Projetos para flexibilizar as regras de permanência de servidores em setores públicos, como incluir a possibilidade de exoneração do funcionários por “insuficiência de desempenho” após uma avaliação periódica – aplicáveis a todos os Poderes, nos níveis federal, estadual e municipal –, estão em discussão no Senado Federal. Neste caso específico, o texto, no entanto, não tem previsão para ser apreciado pelos parlamentares em plenário.
Amostra. Entre as pessoas que responderam o levantamento, 17,3% delas moram com, pelo menos, uma pessoa que é funcionária pública ou exerce algum cargo de confiança para a União, Estados ou municípios.

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