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Vale do Jequi

SAM quer barragem maior que a de Brumadinho, no Vale do Jequitinhonha

O projeto de R$ 9 bilhões prevê construção de mineroduto de 480 km e megabarragem em Grão Mogol, para retirar o minério de ferro da região

01/10/2019 14h58
Por: Redação
Em 2014 população se manifestou contra a construção de mineroduto, em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha.
Em 2014 população se manifestou contra a construção de mineroduto, em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha.

O governo de Minas Gerais assinou, no último dia 12 de setembro, um protocolo de intenções com a Sul Americana de Metais (SAM), subsidiária da chinesa Honbridge Holdings,  ​para a construção de um complexo de mineração de cerca R$ 9 bilhões de reais no Vale  do Jequitinhonha, (MG).

 

Chamado de Bloco 8, o projeto inclui um mineroduto de 480 quilômetros que irá  do município mineiro de Grão Mogol até Ilhéus (BA), passando por 21 municípios. 


Com a construção do mineroduto, o investimento total sobe a 9,1 bilhões de reais.

 

O projeto prevê uma das maiores barragens de rejeitos do País e é condenado por entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens.

 

A empresa afirma que o modelo é seguro. Se chegar à plena operação,  o Bloco 8 terá produção de 27 milhões de toneladas de minério de ferro por ano,  pouco menor que a da mina de Brucutu, da Vale, e semelhante à capacidade total  prevista no projeto Minas-Rio, da Anglo, cuja logística também depende de um 
mineroduto.

 

As jazidas a serem exploradas estão nos municípios de Grão Mogol e Padre Carvalho, no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas.


O complexo terá uma usina de concentração de minério, barragens de água e barragem com capacidade para suportar 845 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

 

Para se ter  uma ideia da proporção, a barragem da Vale na mina de ferro Córrego do Feijão, em Brumadinho, tinha capacidade para armazenar 12 milhões de metros cúbicos de  rejeitos. Seu rompimento, em 25 de janeiro, liberou uma onda de lama que matou  249 pessoas e deixou 21 desaparecidas.

 

 

 

A barragem de Fundão da Samarco, em Mariana, tinha armazenados 55 milhões de  metros cúbicos quando se rompeu, em novembro de 2015. 

 

Licenciamento

 

Inicialmente a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais  Renováveis (Ibama), o projeto teve o licenciamento desmembrado. A parte de mineração  ficará a cargo da autoridade ambiental de Minas, enquanto o mineroduto, por cruzar a divisa  do Estado, será licenciado pelo Ibama. Ele será construído e operado pela Lotus Brasil Comércio e Logística, empresa independente da SAM.

 

Entidades denunciam o "projeto da morte"

 

 

Entidades, entre as quais sindicatos, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra e o Movimento dos Atingidos por Barragens  (MAB) afirmam que esse será um “projeto de morte”, com impactos severos para a região. Caso o projeto seja aprovado, serão destruídas pelo menos 11 comunidades em Grão  Mogol, mas os impactos serão sentidos ao longo de toda bacia do Rio Jequitinhonha e 

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